Existe uma forma de desconforto que não surge como uma crise visível nem se expressa em sintomas espetaculares, mas que se instala lentamente como um estado de fundo: uma insatisfação crónica e persistente, muitas vezes difícil de identificar mesmo para aqueles que dela sofrem. Em certos contextos institucionais, esse desconforto pode se normalizar. O sacerdócio, em algumas de suas configurações ou modos de viver, constitui um desses contextos.
Falar de insatisfação crónica em alguns sacerdotes não implica uma acusação moral, muito menos uma generalização simplista. Em vez disso, implica uma leitura psicológica das condições que favorecem a produção de subjetividades divididas, onde desejo, identidade e poder entram em uma relação tensa e muitas vezes patológica.
A vocação sacerdotal é geralmente apresentada como uma promessa de pleno significado: uma vida orientada e significativa, protegida contra o vazio que se situa muito acima de outras formas de existência. Para muitos jovens, especialmente aqueles com forte necessidade de reconhecimento, pertencimento ou estrutura, essa promessa funciona como um contrato narcisista: em troca de renúncia, é oferecida relevância social; em troca de sacrifício, é prometida uma identidade sólida.
O problema surge quando o eu real –com suas ambivalências, desejos e limites– não coincide com o eu ideal exigido pelo ministério e pelos paroquianos. A renúncia, longe de produzir sentido, começa a gerar empobrecimento emocional, uma vez que o desejo não se extingue por decreto moral. Quando expulso da consciência, ele retorna em outras formas: como rigidez, como culpa ou como necessidade de controle. A insatisfação que produz não explode em crises visíveis; instala-se como um estado de fundo, silencioso e persistente, que acompanha a vida. Esta insatisfação raramente é formulada como tal. Ela tende a assumir formas mais aceitáveis: fadiga espiritual, rigidez doutrinária, cinismo pastoral ou uma adesão cada vez mais defensiva à norma.
A insatisfação crônica é alimentada aqui por um paradoxo: o desejo foi renunciado em nome de um ideal, mas o ideal não restaura a vitalidade, mas a frustração.
Quando o desejo pessoal é negado ou demonizado, o poder aparece como uma forma compensatória. Não necessariamente como abuso explícito, mas geralmente como formas sutis de submissão. A obediência do outro produz um sentimento de eficácia, e o papel sacerdotal garante uma posição inquestionável, movendo-se não só no quadro da disciplina, mas também no da consciência. Neste contexto, o clericalismo não é fundamentalmente um problema eclesial, é sobretudo uma solução psicológica defensiva para um vácuo interno. A dinâmica das assimetrias de poder favorece, a longo prazo, um desencanto que retroalimenta o círculo vicioso do autoritarismo.
Reconhecer esse desconforto é o primeiro passo para superar a situação e encontrar uma solução válida. O desejo como tal não deve ser considerado inimigo da vida espiritual. Quando reconhecida, simbolizada e orientada, pode se tornar uma fonte de rendição; quando negada, degenera em controle, culpa ou ressentimento. O problema é não querer, mas não saber o que fazer com o que você quer.
Nessa perspectiva, a renúncia sacerdotal só pode ser fecunda se não for vivenciada como amputação, mas como opção consciente, sustentada por um tecido social e emocional congruente com a própria vocação. Manter a fidelidade exige, então, não mentir para si mesmo, não ignorar as tensões e os conflitos que ela inevitavelmente gera.
Em segundo lugar, essa saída exige uma dose maior de corresponsabilidade e escuta, sem qualquer tipo de advertência ou sanção. Tome consciência de que liderança e governo não são exercidos causando medo ou exigindo submissão e controle, mas sim assumindo vulnerabilidade compartilhada em seu exercício específico. O sacerdote deve conhecer suas próprias imperfeições e estar ciente de sua fragilidade ao tentar realizar o ideal que o move, para poder acompanhar aqueles que são destinatários de seu ministério de uma humanidade reconhecida, assumida e trabalhada.
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Juan Antonio Moya Sánchez
